O dia-a-dia do setor de TI: Linux impecável, hardware de museu e a arte de morcegar e lançar “migué”.

(Segunda-feira)

08:05 - O dia já começa com o Assis (HelpDesk) me mandando áudio desesperado no WhatsApp. O Assessor Jurídico não lembra a senha de rede. Digo ao Assis: "Manda ele abrir o sistema de senhas (Bitwarden)". Assis responde: "Ele esqueceu a senha mestra do Bitwarden também". Respondo: "Então manda ele pra casa, não podemos fazer nada. Possível problema de BIOS ou de USB". Desativo as notificações do Assis no Whatsapp.

08:20 - Nosso GLPI amanhece lento. Ele roda perfeitamente orquestrado num contêiner Docker dentro do servidor Linux, que por sinal está com uptime de 1.450 dias sem dar um único engasgo. O problema é o hardware do servidor. A máquina é tão velha que tem entrada pra disquete e a ventoinha soa como uma turbina de avião.

09:00 - O Assessor de TI entra na sala. Aproveito a chance: "Chefe, pelo amor de Deus, aprova a requisição de compra daquele servidor novo. Nossos servidores de produção estão rodando à base de reza e fita isolante!". Ele faz aquela cara de choro de sempre: " Luiz, a crise tá feia... não tem dinheiro aprovado no orçamento... vamos ter que esticar a vida útil deles mais uns 3 anos". Suspiro. O hardware chora, mas o Linux aguenta.

11:00 - A Rayane passa na sala com uma pilha de notas fiscais de toner pra gente conferir. Como ela é quem resolve nossas folgas e furos no sistema de ponto, trato ela como realeza. "Claro, Rainha da Burocracia, deixo isso pronto em 5 minutos". Jogo as notas na mesa do Medeiros (o Analista Windows) e digo que é uma missão crítica da presidência.

15:30 - O setor de TI está um caos. Paschoal e Manhães (do time de HelpDesk) estão suando frio no telefone com usuários. Eu e Medeiros ligamos o Playstation na entrada secundária de HDMI da TV que exibe o monitoramento da infraestrutura e abrimos o FIFA. O mundo pode pegar fogo, mas nosso campeonato na fase de grupos não pode esperar.

Uma Semana com o TI
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(Terça-feira)

09:10 - Macedo, nosso Desenvolvedor PHP, abre um chamado no GLPI e me chama no Google Meet. Ele diz, com a arrogância típica de quem não sabe qual a diferença entre hardware e software, que a aplicação dele tá lenta e a culpa é do servidor Linux.

09:15 - Respiro fundo. Apesar do hardware velho, Linux é uma fortaleza de estabilidade. Abro o repositório dele no GitHub, dou uma olhada e encontro a tragédia. "Macedo, meu consagrado... Nosso ambiente Docker processa milhares de requisições por segundo. O problema é que você meteu um loop infinito dentro de uma query SQL no seu PHP de padaria". Ele murmura algo sobre "framework" e desliga a câmera. Vitória do pinguim.

13:00 - Ouço um barulho alto e forte. É o Medeiros espancando o teclado. O Windows 11 dele decidiu forçar uma atualização cumulativa de 4 gigas no meio do expediente e mandou uma Tela Azul da Morte (BSOD) logo em seguida. Dou uma risada gostosa, acaricio meu teclado e digito um simples "ls -la" no meu terminal só pra ver a beleza da tela preta e verde responder instantaneamente.

16:55 - Resolvo atualizar os contêineres do Docker. Rodo um "docker-compose pull && docker-compose up -d". Tudo atualizado em 4 segundos, liso, perfeito. Mando um e-mail para toda a TI dizendo: "Migração de núcleo de sistema concluída. Exigiu extrema concentração técnica."

(Quarta-feira)

08:30 - O HelpDesk está em pânico. Um Jovem Aprendiz do RH conectou o FortiVPN em casa e agora diz que a internet dele parou de funcionar. Assis me pede ajuda. Falo: "Pega o log do FortiClient e joga no Gemini. A IA tem mais paciência para ensinar estagiário a configurar DNS do que eu."

10:00 - O firewall Fortigate bloqueia o acesso do Assessor de TI a um site de compras de peças de carro. Ele vem até a minha mesa reclamar. Digo que foi uma atualização de segurança global do kernel do firewall para evitar ataques de ransomware, mas que vou criar uma "exceção de altíssimo risco" só para ele. Ele agradece e diz que sou o melhor funcionário dele. Eu sequer abri o painel do Fortigate, ele só tinha digitado o link errado.

12:00 - Almoço.

14:30 - Manhães tenta instalar um software de editar PDF em um dos micros do setor financeiro e toma um erro de permissão. Medeiros tenta ajudar e trava a máquina inteira. Eu observo de longe, bebendo um café expresso, enquanto ouço música clássica. O ecossistema da Microsoft é um zoológico maravilhoso de se assistir de fora.

(Quinta-feira)

09:00 - Rayane avisa no grupo de WhatsApp: "Pessoal, amanhã tem auditoria nos acessos de e-mail". O setor entra em desespero. Medeiros começa a fuçar freneticamente o Google Work Space.

09:05 - Crio um prompt perfeito no Gemini: "Gere um script em bash que extraia todos os acessos do servidor de e-mail zimbra (sim, nós também temos um zimbra rodando no Linux), cruze com a base de dados em Docker e exporte um CSV formatado para auditoria". Copio. Colo. Rodo. Em 12 segundos o relatório está na mesa da Rayane. O Linux nunca falha. A IA é minha estagiária particular (na verdade, minha escrava digital).

14:00 - Campeonato de FIFA no Playstation está pegando fogo. Estou perdendo de 2x1 pro Medeiros. De repente, o Assessor de TI entra na sala.

14:01 - Num reflexo ninja, Medeiros aperta o botão PS do controle e muda pra tela inicial, enquanto eu puxo o cabo do fone e grito: "Exatamente, Medeiros! E se o hardware obsoleto não for trocado, a latência do nosso storage vai corromper os logs!" . O Assessor de TI engole em seco, repete que "ano que vem a verba sai" e foge da sala. Voltamos pro jogo. Empatei aos 90 minutos e o Medeiros jogou o controle do Playstation no chão.

(Sexta-feira)

08:00 - Sexta-feira da maldade. O servidor do Zabbix amanhece apitando. O hardware tá pedindo arrego, um dos discos do RAID acendeu uma luz laranja piscante. O Linux, como o herói que é, já montou a partição em modo de segurança e isolou os setores defeituosos sozinho. Ninguém sentiu a queda.

09:30 - O Macedo solta um código novo no GitHub direto na branch main (um crime). O pipeline do Docker recusa o lixo radioativo que ele fez e não sobe o contêiner. Ele chora no grupo dizendo que a infraestrutura quebrou o projeto dele. Respondo com um print dos logs do contêiner que não está subindo e mostro o erro de sintaxe no código dele.

13:00 - O GLPI começa a encher de chamados: "Meu Windows 11 tá reiniciando sozinho", "Minha tela tá azul". Medeiros entra em desespero profundo, correndo de mesa em mesa enquanto o HelpDesk (Assis, Paschoal e Manhães) atende os telefones chorando.

16:30 - A tranquilidade reina na minha mesa. Tudo que é em Linux roda na nuvem de abstração divina dos meus contêineres Docker. Olho para a Rayane organizando a agenda, para o HelpDesk surtando, para o Medeiros abraçado aos joelhos num canto escuro, e para o Assessor de TI olhando boletos antigos.

17:00 - Fecho o terminal. "Bom fim de semana, guerreiros", digo. Deixo o caos para trás. Meu uptime subiu mais um dia.